A arte de pintar: da Renascença ao Realismo
A Pintura Renascentista
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| A Santa Ceia de Leonardo Da Vinci |
Entre 1500 e 1600, o pensamento moderno se delineia com mais força e a figura humana passa a ser o centro da atenção dos artistas. Desse modo, o espírito racional e a mentalidade científica anunciam o Humanismo.
Antes os pintores buscavam inspiração interna, por meio da intuição e de revelações do sagrado, e agora votam seu foco para o exterior, observando a natureza e a figura humana. A pintura ainda representa temas religiosos, mas a inspiração mística dá lugar a inspiração científica, materialista.
Nesse período, são desenvolvidas leis matemáticas, princípios geométricos e de proporção, em busca de um realismo visual perfeito. Esses ideais são fruto da redescoberta de obras da antiguidade clássica grego-romana. Influenciaram de maneira diversa latinos e nórdicos: enquanto os primeiros buscavam a beleza da forma os últimos focavam na beleza do caráter.
Pintura Barroca
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| A Santa Ceia de Tintoretto |
Entre 1600 e 1700, a pintura barroca irá amenizar o interesse pelos ideais renascentistas de ordem e beleza. Muito parecida com a arte helenística, prioriza o movimento das formas e usa de violentos contrastes de claro-escuro para obter intensos efeitos expressivos. Essa movimentação das formas, dramática ou figurativa, observa-se também na arquitetura e escultura, ao exemplo das obras de Miguel Ângelo.
Nos quadros renascentistas clássicos, o eixo da composição é predominantemente central, uma vertical imaginária divide a tela simetricamente, em duas partes iguais, assim comunicando sentimentos de ordem e estabilidade. Já nos quadros barrocos, essa linha imaginária e predominante tende a ser uma diagonal, que segure a sensação de instabilidade, movimento e desordem emocional.
Comparemos a santa ceia de Leonardo da Vinci e de Tintoretto para observarmos bem a diferença entre a pintura renascentista e barroca.
Academismo
| A escolha de Héracles - Aníbal Carracci |
Surge no início do período barroco, quando a pintura italiana entra em decadência após o desaparecimento dos grandes mestres renascentistas. A maioria dos novos artistas adotava uma postura maneirista, ou seja, um virtuosismo técnico inexpressivo.
Nesse contexto, três irmãos decidem montar uma escola para dar nova força a pintura italiana, nomeada como Academia dos Bem Encaminhados. Aníbal (1560-1609), Agostinho (1557-1602) e Ludovico (1555-1619), os Carracci.
A doutrina dos Carracci postulava que a pintura deve representar temas, cenas e assuntos superiores, de elevação moral e espiritual. Portanto, buscavam inspiração na mitologia grega, na história sagrada e antiga, pintando representações idealizadas do homem e da vida. Valorizavam a erudição, o conhecimento da história, filosofia, anatomia, proporção e religião.
Tinham como ídolos os mestres renascentistas, aos quais buscavam se aproximar. Assim, para eles a obra-prima ideal deveria conter o melhor de cada um dos grandes: o claro-escuro de Leonardo, o desenho de Miguel Ângelo, a composição de Rafael e o colorido de Ticiano.
Seguindo os passos dos renascentistas, buscavam inspiração e pautavam seus estudos na antiguidade clássica grego-romana. Desde a metade do século XIX esse modelo pedagógico sofre restrições, apesar de ainda ser usado em muitas academias oficiais em diversos países.
Rococó
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| Jean Honoré Fragonard - O Balanço |
O surto europeu da economia manufatureira e mercantilista traz novas formas estilísticas ao século XVIII. O Rococó é um estilo francês, seu nome deriva do vocábulo rocaille, que significa conha, um dos motivos constantes nos estudos dessa vertente.
Nas artes em geral, o rococó representa a vida ociosa e requintada da nobreza européia, que já tem sua decadência anunciada pelo fortalecimento nascente burguesia. Retrata sentimentos aristocráticos, mundanos, eróticos e até mesmo fúteis.
Valorizavam a leveza técnica, a graciosidade e a luminosidade de colorido. Seus temas principais eram pastorais idílicas, flagrantes de boudoir (quarto privado destinado as arrumações vaidosas das mulheres após o banho) e cenas mitológicas galantes. Utilizavam muito a técnica em giz pastel, cujo traço sedutor e efêmero traduzia bem a visão aristocrática da época.
Neoclassicismo
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| O Juramento dos Horácios de Jacques-Louis David, 1784 |
Entre o final do século XVII e início do século XIX, a Revolução Francesa abala os alicerces políticos e sociais da Europa. Paralelamente, o historiador Joaquim Winckelmann (1717-1768) e o pintor Rafael Meng (1728-1779) difundem uma concepção de pintura muito semelhante a da academia dos Carracci.
Inspiravam-se na Antiguidade clássica grego-romana e na Renascença, representando temas de natureza histórica e literária. Era uma arte imitadora, eclética e normativa cuja padronização exagerada sufocava a originalidade pessoal do artista, dificultando que surgissem acentos pessoais e nacionais. A linha e o desenho predominavam sobre a cor, o que indica a preferência do plano intelectual sobre o emocional.
Como exemplos dessa corrente artística na arquitetura, temos a Casa da Moeda no Rio de Janeiro e o Arco do Triunfo em Paris. Os nomes mais eminentes desse estilo foram Jean Louis David (1748-1825) e Jean Dominique Ingres (1780-1867).
Românticos
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| A Liberdade guiando o povo - Eugéne Delacroix |
Levantando-se contra o Neoclassicismo, a pintura romântica valoriza a liberdade de expressão individual acima das regras e normas acadêmicas. Desse modo, utilizavam mais cor e menos desenho, eram mais imaginativos, emocionais, e apreciavam as características pessoais e nacionais do artista.
Assim como os barrocos e helenísticos, movimentavam a forma e a composição acentuando contrastes, cores e luzes, na busca de maior intensidade na expressão. Tendiam ao Realismo graças ao gosto pelo pitoresco, exótico e pela paisagem. Conservam certos prejuízos e convenções acadêmicas, inclusive pelo caráter narrativo, histórico e literário.
Voltaram-se para a natureza produzindo belos paisagistas, como Jean-Baptiste Corot (1796-1875). Outros grandes nomes do Romantismo são Eugéne Delacroix (1748-1825) e Théodore Gericault (1791-1824).
Realistas
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| Mulheres peneirando trigo - Gustave Courbet, 1855 |
Combatendo as sobrevivências academicistas que existiam nos românticos, na segunda metade do século XIX os realistas buscavam a representação objetiva das coisas visíveis. No entanto, isso não significava fidelidade fotográfica, mas sim fixar elementos característicos e expressivos que demonstrassem a verdadeira essência das coisas e seres.
Assim consideravam o belo como relativo ao olhar, ao poder de percepção do artista. Abandonam temas históricos e literários e voltam-se para cenas do cotidiano e flagrantes populares, fruto também da influência dos ideais socialistas. Um de seus nomes mais importantes é Gustave Courbet (1819-1877). O realismo lança as bases para o Impressionismo.
A referência utilizada nessa postagem foi o livro Como entender a pintura moderna de Carlos Cavalcanti (1909-1974). Tenho em mãos a quarta edição, lançada pela Editora Rio em 1978.
Sobre o autor: Cavalcanti foi professor de História da Arte no Instituo de Belas-Artes da Guanabara (1950). Foi membro da Associação Internacional dos Críticos de Arte, Seção Brasileira, assim como de outras instituições artísticas renomadas. Participou de programas de rádio e televisão sendo um dos pioneiros no desenvolvimento de cursos sobre artes plásticas para essas mídias.







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